Degu: Um saltitão por descobrir

Degu: Um saltitO Degu é um animal cuja classificação é complexa. Quando foi descoberto no final do século XVIII, pensava-se que seria um esquilo. Mais tarde foi classificado como roedor, mas estudos recentes de ADN indicam-nos que o grau de parentesco com o coelho, lagomorfo, é mais forte.

O Degu na verdade assemelha-se a um gerbo de maior porte, podendo atingir os 30 cm, mas ficando em média com 20 cm em adulto.

Classificações à parte, o Degu estreitou laços com os humanos quando começou a ser usado como cobaia em laboratórios. O facto de não ser capaz de digerir o açúcar tornou-o num animal essencial na pesquisa científica à volta da diabetes.

Mas esta não é a única singularidade do Degu. Acredita-se que estes animais são capazes de ver a gama de luz ultravioleta e que a urina “acabada de produzir” emite luz ultravioleta, servindo assim não só como sinal olfactivo, mas também visual.

Apesar de as primeiras aproximações “em cativeiro” entre o Degu e o Homem terem sido feitas em laboratório, este animal já era bastante conhecido na sua terra natal. No Chile, são considerados uma praga para os agricultores, pois alimentam-se de vários tipos de culturas e são capazes de grandes estragos.

Como animais de estimação chegaram ao mercado há pouco mais de 50 anos e começam agora a ser mais facilmente encontrados em Portugal.

Distinguem-se por serem bastante dóceis ao ponto de tratarem da “higiene” do dono, ou seja, “limpar” o cabelo, como fazem com o próprio pêlo. O facto de serem animais diurnos traz-lhes algumas vantagens em popularidade, pois estão sempre prontos para interagir com o dono durante o dia. Mas isso não significa que durmam a noite inteira. Os Degus têm pequenos períodos de sono que são mais reduzidos durante o dia e mais longos durante a noite. Como são bastante vocais, os períodos em que se mantém acordados durante a noite, podem também significar demasiado barulho para os donos de sono mais leve.

O Degu é um animal altamente sociável e é conveniente alojá-lo com outros da mesma espécie, pois um Degu sozinho necessita de constante atenção e dedicação para ser feliz. No habitat natural é possível encontrar comunidades de cem indivíduos. Em cativeiro, um par é suficiente para os manter entretidos. Juntos, brincam, mas também gostam de disputar comida. Observar o comportamento dos Degus em família é fascinante, pois estes animais emitem uma grande variedade de sons, incluindo assobios e uma espécie de chilreio. Menos agradáveis é o som que emitem quando discutem, embora irmãos ou irmãs mantidos juntos raramente lutem.

Apesar da classificação como roedor estar a ser debatida, não se deixe enganar, o Degu é realmente um animal que rói bastante, incluindo o fundo das gaiolas de plástico. Um outro desafio para dono é assegurar que o Degu não descobre como abrir a gaiola. Altamente inteligentes, fazem de tudo para escapar. Associada a esta inteligência está uma memória muito boa. Os Degus não esquecem se forem mal tratados e não voltam a confiar completamente no dono se forem magoados. Por isso tenha cuidado a manusear um Degu e não aperte, pois estes animais não gostam de se sentirem presos.

A cor original dos Degus é acastanhada, mas já existem outras mutações de cor criadas a partir de inbreeding, ou seja cruzamento de animais com familiares directos. Esta prática é uma óptima forma de fixar determinadas características mas influência também a saúde geral e o comportamento dos animais, pela negativa. Por isso é necessário bastantes anos para se poder aperfeiçoar as mutações, geralmente com inbreeding e depois introduzindo progressivamente outros animais, para aperfeiçoar as características que possam ter saído prejudicadas. Actualmente encontramos Degus com várias colorações:

  • Degus Azuis – Também conhecidos por Degus prateados, têm um tom mais acizentado.
  • Degus Dourados – O castanho original dos Degus passa a castanho claro
  • Degus Pretos – Na verdade estes Degus são castanhos escuros.
  • Degus Albinos – A falta de pigmentação produz animais brancos de olhos vermelhos.

Em termos de cuidados, os Degus não divergem muito de outros pequenos exóticos similares. Gostam de sair da gaiola e exercitar as patas, necessitam de banhos de areia e não podem ser molhados. São fáceis de alimentar pois aceitam bem vários vegetais, fruta e feno. O principal cuidado é não dar alimentos doces, pois ficam rapidamente diabéticos.

Brincalhão, o Degu promete a cada salto conquistar mais admiradores. A sua esperança média de vida, entre 5 a 8 anos, a sua facilidade de manutenção e docilidade parecem ser os seus maiores atributos.

Originalmente publicado na Arca de Noé: Fonte
Algumas imagens poderão conter direitos de autor, indicados na fonte.

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer contribuir para a discussão?
Sinta-se a vontade para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *