Luz UVB: Ossos fortes, répteis saudáveis

Luz UVB: Ossos fortes, rA luz UVB interage com a pele dos seres vivos, tanto nos humanos, bronzeando a pele ou causando queimaduras, como nos répteis. Os répteis diurnos que não são expostos à luz UVB têm esperança médias de vida curtas e desenvolvem graves problemas de formação de ossos.

Reacção química

A luz UVB permite a fotossintese da vitamina D3, colecalciferol. Ou seja, a luz UVB causa uma reacção química na pele dos répteis que resulta na produção de vitamina D3. É a presença desta que depois vai permitir a regulação do metabolismo do cálcio, isto é utilizar o cálcio onde ele é necessário. Grande parte do cálcio consumido é aproveitado na formação dos ossos, mas o cálcio também contribui para a formação de cartilagem e para a comunicação entre as células do sistema nervoso. Sem a vitamina D3, os animais desenvolvem problemas graves de raquitismo, bloqueio do sistema nervoso e doença óssea metabólica, uma espécie de osteoporose, caracterizada por ossos moles, quebradiços, inchaços entre outras deformações. Se não for tratada atempadamente, este tipo de deficiência é fatal. Aliás, a doença metabólica óssea é a principal causa de morte entre os répteis.Os humanos vão buscar a vitamina D3 através da alimentação, sobretudo na carne e leite. Nos alimentos verdes está sobretudo presente a vitamina D2, ergocalciferol, que é menos eficiente na realização do metabolismo do cálcio. Os répteis herbívoros são por isso mais dependentes da luz UVB do que os carnívoros. Os lagartos e as tartarugas que se alimentam maioritariamente de vegetais não obtém da alimentação quantidades suficientes da vitamina D3. Por isso, para poderem crescer e formar ossos fortes, necessitam de uma fonte alternativa desta vitamina.

Essa fonte alternativa é a exposição à luz solar. Enquanto que para alguns animais é possível dar-lhes acesso directo ao sol, como por exemplo tartarugas mantidas em terrários exteriores, noutros, sobretudo os de habitates diferentes do nosso, é necessário mantê-los em terrários interiores. Como a luz UVB é filtrada pelo vidro e como não é recomendável ter o sol directo a bater nos terrários, pois desregula a temperatura e humidade, torna-se impraticável utilizar o sol como fonte alternativa à produção de vitamina D3.

Assim, é necessário instalar nos terrários lâmpadas de luz UVB que simulem o sol. A intensidade das lâmpadas UVB deve ser adaptada ao réptil em causa. As lâmpadas UVB têm de ser substituídas a cada 9/12 meses, pois apesar de continuarem a emitir luz visível, deixam de emitir raios ultravioleta.

Quantidade de UVB

A necessidade de luz UVB depende das espécies, idade e do tipo de habitat.

Espécies

Um estudo realizado à pele resultante da muda dos répteis revelou que as diferentes espécies de répteis têm diferentes sensibilidades diferentes à luz ultravioleta. Funcionando como um protector solar, a pele de alguns répteis é mais grossa, deixando passar menos quantidade de raios ultravioletas, enquanto outras são barreiras tímidas a este tipo de luz, deixando os raios ultravioleta penetrar de forma mais fácil e mais profunda. São os animais de pele mais grossa que mais se expõem ao sol e que mais necessitam de luz UVB, quer em intensidade e quantidade.

De acordo com o mesmo estudo, a pele resultante da muda dos juvenis e das fêmeas grávidas é também mais fina do que a pele largada pelos machos. Estes dados foram obtidos no Camaleão Pantera. Assim, os répteis parecem ter necessidades diferentes de luz UVB ao longo da vida.

Tipo de Habitat

A intensidade da luz varia nas diferentes partes do planeta. As zonas mais próximas do equador são onde se verifica uma maior intensidade do sol, mas também a presença de nuvens e vegetação contribuiu para a formação de zonas de sombra.

Exposição intensiva ao sol

Muitos répteis são conhecidos por se exporem à luz intensa durante um longo período de tempo. Este tipo de animais é geralmente originário da zona do Mediterrâneo, incluindo o Norte de África, estados mais áridos dos Estados Unidos da América e também nas regiões mais secas da Austrália. O Dragão Barbudo e as espécies da família uromastyx são alguns exemplos.

Exposição mediana ao sol

Ao contrário do que se possa pensar, as florestas tropicais não são as regiões onde há uma maior exposição ao sol por parte dos répteis. Estes animais têm à disposição sombra durante todo o dia e têm mesmo de trepar pelas árvores para conseguirem banhos-de-sol. Este é o caso da Iguana Verde.

Espécies crepusculares/nocturnos

Estudos em animais crepusculares/nocturnos, tais como o Gecko Leopardo, mostram que estes répteis são capazes de produzir a vitamina D3 através da exposição à luz UVB. Não só o são capazes de fazer, como também o fazem de forma mais eficiente, necessitando de um menor tempo de exposição e menor intensidade de luz para produzir as mesmas quantidades de vitamina D3 do que os animais diurnos. Isto quer dizer que os répteis crepusculares/nocturnos que não obtenham cálcio suficiente através da alimentação, podem beneficiar da exposição curta e a baixa intensidade à luz UVB. Contudo, a sobreexposição a este tipo de luz pode acarretar problemas para estes répteis. Embora este assunto esteja pouco estudado, pensa-se que queimaduras e escurecimento da pele podem resultar de uma exposição exacerbada. A calcificação de tecidos moles, má formação de ossos, com depósitos extra de cálcio, e a perturbação do normal funcionamento do fígado geralmente parece resultar do excesso de suplemento D3 na alimentação e não da exposição aos raios UVB.

Cobras

A exposição das cobras à luz UVB é controversa. Acredita-se que por terem uma dieta baseada na proteína animal, as cobras conseguem produzir vitamina D3 em quantidades satisfatórias. Contudo, existe quem defenda que algumas espécies necessitam de exposição à luz ultravioleta, sobretudo as cobras arborícolas, diurnas e as insectívoras. O risco baseia-se no facto de as cobras serem extremamente sensíveis à intensidade da luz e por isso luzes muito fortes no terrário devem ser evitadas.

Originalmente publicado na Arca de Noé: Fonte
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